quarta-feira, 10 de junho de 2026

Santo Anjo da Guarda de Portugal – memória

Matthew 5:17-19

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Primeira leitura

1 Kings 18:20-39

Naqueles dias, eu, Daniel, estive de luto durante três semanas inteiras. Não comi pão saboroso, nenhuma carne ou vinho entrou na minha boca, nem me ungi de modo algum, até que se completaram as três semanas inteiras. No vigésimo quarto dia do primeiro mês, estando eu à margem do grande rio, que é o Hidequel, levantei os meus olhos, olhei, e eis um homem vestido de linho, cujos rins estavam cingidos de ouro puro de Ufaz. O seu corpo era como o berilo, o seu rosto tinha a aparência de um relâmpago, e os seus olhos eram como tochas ardentes. Os seus braços e os seus pés eram como bronze polido, e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão. Somente eu, Daniel, vi a visão; pois os homens que estavam comigo não a viram; mas caiu sobre eles um grande pavor, e fugiram para se esconderem. Assim, fiquei sozinho e contemplei esta grande visão. Não restou força em mim, pois o meu vigor se transformou em corrupção, e não retive forças. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ao ouvir a voz das suas palavras, caí em profundo sono, com o rosto em terra. E eis que uma mão me tocou e me ergueu sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. E ele me disse: "Daniel, homem muito amado, entende as palavras que te digo, e fica de pé, porque agora fui enviado a ti." E, ao falar-me esta palavra, levantei-me, tremendo. Então ele me disse: "Não temas, Daniel, pois desde o primeiro dia em que dispuseste o teu coração para compreender e para te humilhar diante do teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia resistiu-me durante vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos príncipes principais, veio ajudar-me, porque eu havia ficado ali com os reis da Pérsia. Agora vim para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos últimos dias, pois a visão se refere ainda a muitos dias."

Salmo responsorial

Psalms 16:1-2,4,5,8,11

Aquele que habita no lugar secreto do Altíssimo descansará à sombra do Todo-Poderoso. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste mortífera. Não temerás o terror da noite, nem a flecha que voa de dia; nem a peste que anda nas trevas, nem a destruição que assola ao meio-dia. Nenhum mal te acontecerá, nem praga alguma chegará à tua morada. Pois ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. "Porque ele depositou em mim o seu amor, eu o livrarei. Eu o porei em segurança, porque ele conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei. Estarei com ele na tribulação. Eu o livrarei e o honrarei."

Evangelho

Matthew 5:17-19

Havia naquela mesma região pastores que permaneciam nos campos, guardando durante a noite o seu rebanho. Eis que um anjo do Senhor apareceu diante deles, e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles, e ficaram aterrorizados. O anjo lhes disse: “Não tenhais medo, pois eis que vos trago boa nova de grande alegria, que será para todo o povo. Porque hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos, deitado numa manjedoura.” De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celestial, que louvava a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.”

Lectio

Há um fio luminoso que atravessa estas leituras de hoje: a presença dos anjos como mensageiros que rompem o medo humano. Daniel, esgotado pelo luto e pela vigília, vê um homem vestido de linho cujo rosto era como um relâmpago, e cai por terra sem forças. Os pastores, na noite escura dos campos, ficam aterrorizados diante da glória que os envolve. E a primeira palavra, em ambos os casos, é a mesma: "Não temas." Deus não envia os seus mensageiros para nos esmagar, mas para nos erguer sobre os joelhos, como aquela mão que tocou Daniel e o pôs de pé.

É consolador reparar que tanto a Daniel como aos pastores o anjo vem por causa de algo que já estava em curso. A Daniel é dito que desde o primeiro dia em que dispôs o coração para compreender e humilhar-se diante de Deus, as suas palavras foram ouvidas. O céu estava a trabalhar muito antes de ele perceber qualquer resposta — havia até uma batalha invisível, uma resistência de vinte e um dias da qual ele nada sabia. Quantas vezes desistimos da oração precisamente na véspera de a resposta chegar, ignorando que os anjos lutam por nós em lugares que os nossos olhos não alcançam.

O salmo recolhe toda esta confiança numa promessa terna: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Na memória do Anjo da Guarda de Portugal, somos convidados a não viver como órfãos do invisível. A mesma alegria anunciada aos pastores — "hoje vos nasceu um Salvador" — é o coração de toda a guarda angélica: não estamos sozinhos na noite, e a peste que anda nas trevas não tem a última palavra.

Que luto ou cansaço carregas hoje, como Daniel, que talvez te faça pensar que as tuas orações não foram ouvidas — quando na verdade o céu já se move por ti em batalhas que não vês?

A quem na tua vida poderias tornar-te tu mesmo um mensageiro de "não tenhas medo", levando uma boa nova de alegria a alguém que vela sozinho na sua noite?

Santo do dia

Santo Anjo da Guarda de Portugal

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