quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Quinta-feira da 19ª semana do Tempo Comum

Matthew 18:21-35,19:1

Ouvir a leitura completa — MP3

Primeira leitura

Ezekiel 12:1-12

A palavra do Senhor veio também a mim, dizendo: "Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, os quais têm olhos para ver e não veem, têm ouvidos para ouvir e não ouvem; porque são uma casa rebelde.

"Portanto, tu, filho do homem, prepara para ti a bagagem para o exílio, e parte de dia, à vista deles. Mudarás do teu lugar para outro lugar, à vista deles. Talvez eles considerem, ainda que sejam uma casa rebelde. Levarás para fora a tua bagagem de dia, à vista deles, como bagagem para o exílio. E tu mesmo sairás ao entardecer, à vista deles, como quem parte para o cativeiro. Abre um buraco no muro, à vista deles, e por ali carrega a tua bagagem para fora. À vista deles a levarás sobre o ombro e a carregarás para fora na escuridão. Cobrirás o rosto, para que não vejas a terra, porque te pus como sinal para a casa de Israel."

E fiz assim, como me foi ordenado. Levei para fora a minha bagagem de dia, como bagagem para o exílio, e ao entardecer abri com a mão um buraco no muro. Na escuridão a levei para fora, e a carreguei sobre o ombro, à vista deles.

Pela manhã, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "Filho do homem, acaso a casa de Israel, a casa rebelde, não te perguntou: 'Que estás fazendo?'

"Dize-lhes: 'Assim diz o Senhor Deus: "Este oráculo diz respeito ao príncipe em Jerusalém, e a toda a casa de Israel que ali se encontra."'

"Dize: 'Eu sou o vosso sinal. Assim como eu fiz, assim lhes será feito. Irão para o exílio, para o cativeiro.

"'O príncipe que está entre eles carregará a bagagem sobre o ombro na escuridão, e partirá. Abrirão um buraco no muro para por ali levar a bagagem para fora. Ele cobrirá o rosto, porque não verá a terra com os seus olhos.

Salmo responsorial

Psalms 78:56-57,58-59,61-62

Contudo, tentaram e se rebelaram contra o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos; mas se desviaram e agiram traiçoeiramente como os seus pais. Torceram-se como um arco enganoso. Pois o provocaram à ira com os seus lugares altos, e o incitaram ao zelo com as suas imagens esculpidas. Quando Deus ouviu isto, indignou-se, e abominou grandemente Israel; e entregou a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do adversário. Também entregou o seu povo à espada, e irou-se contra a sua herança.

Evangelho

Matthew 18:21-35,19:1

Então Pedro aproximou-se e disse-lhe: “Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim e eu lhe perdoarei? Até sete vezes?” Jesus respondeu-lhe: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Por isso, o Reino dos Céus é semelhante a certo rei que quis ajustar contas com os seus servos. Quando começou a ajustar as contas, foi-lhe trazido um que lhe devia dez mil talentos. Mas, como não tinha com que pagar, o seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, a sua esposa, os seus filhos e tudo quanto possuía, e que assim se fizesse o pagamento. Então o servo, prostrando-se, ajoelhou-se diante dele, dizendo: ‘Senhor, tem paciência comigo, e tudo te pagarei!’ E o senhor daquele servo, movido de compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. “Mas, ao sair, aquele servo encontrou um dos seus companheiros de serviço, que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, apertou-lhe a garganta, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ “Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, suplicava-lhe, dizendo: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei!’ Ele, porém, não quis, mas foi e o lançou na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo, pois, os seus companheiros o que havia acontecido, entristeceram-se profundamente e foram relatar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor chamou-o e disse-lhe: ‘Servo mau! Perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?’ E o seu senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim também vos fará meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar de coração a seu irmão as suas ofensas.” Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, retirou-se da Galileia e chegou aos confins da Judeia, além do Jordão.

Lectio

Há algo pungente na figura de Ezequiel abrindo um buraco no muro e carregando sua bagagem à vista de todos, com o rosto coberto para não ver a terra que deixa. Deus o transforma em sinal vivo de um exílio que ainda virá — um homem que carrega no próprio corpo o peso de uma dívida coletiva não saldada, de uma recusa em ver e ouvir. "Têm olhos para ver e não veem." Toda a tragédia de Israel cabe nessa frase: não a cegueira de quem não pode enxergar, mas a de quem escolhe não olhar.

E o Evangelho nos coloca diante de outra dívida impossível de pagar — dez mil talentos, uma quantia que nenhuma vida de trabalho jamais quitaria. O rei perdoa tudo, movido de compaixão. Mas o servo perdoado sai e aperta a garganta de quem lhe deve cem denários, uma ninharia. O que impressiona não é a maldade dele, mas a cegueira: ele acabou de receber um mar de misericórdia e não consegue enxergar o riacho que lhe pedem. Como Israel, ele tem olhos e não vê. O exílio, aqui, não é geográfico — é o cárcere de um coração que recebe perdão e não o deixa fluir para fora.

Talvez a pergunta que atravessa as duas leituras seja esta: o que fazemos com aquilo que nos foi dado? A misericórdia que não passa por nós nos endurece; a dívida que nos foi perdoada e que nós não perdoamos volta a nos aprisionar. Jesus não fala de perdão como sentimento, mas como algo que brota "de coração" — de dentro, de onde também recebemos.

Quem é a pessoa cuja "cem denários" você ainda segura pela garganta, mesmo sabendo o quanto já lhe foi perdoado?

Onde, na sua vida hoje, você tem "olhos para não ver" — que verdade sobre si mesmo ou sobre alguém você está cobrindo o rosto para não enxergar?

Santo do dia

São Ponciano, papa, mártir, +235

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