sábado, 11 de julho de 2026
São Bento, abade, copadroeiro da Europa – festa
Matthew 19:27-29
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Primeira leitura
Isaiah 6:1-8
No ano em que morreu o rei Uzias, vi o Senhor sentado num trono alto e elevado; e a orla de seu manto enchia o templo. Acima dele estavam os serafins. Cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos! Toda a terra está cheia de sua glória!” Os fundamentos das soleiras tremeram à voz daquele que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então eu disse: “Ai de mim! Pois estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de lábios impuros; pois os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” Então um dos serafins voou até mim, tendo na mão uma brasa viva, que tomara do altar com uma tenaz. Tocou com ela a minha boca e disse: “Eis que isto tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi removida e o teu pecado perdoado.” Ouvi a voz do Senhor, que dizia: “A quem enviarei, e quem irá por nós?” Então eu disse: “Eis-me aqui. Envia-me!”
Salmo responsorial
Psalms 34:2-11
A minha alma se gloriará no Senhor. Os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei comigo o Senhor. Exaltemos juntos o seu nome. Busquei o Senhor, e ele me respondeu, e me livrou de todos os meus temores. Olharam para ele e ficaram radiantes. Os seus rostos jamais serão cobertos de vergonha. Este pobre clamou, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias. O anjo do Senhor acampa ao redor daqueles que o temem, e os livra. Provai e vede como o Senhor é bom. Bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o Senhor, vós, os seus santos, pois nada falta àqueles que o temem. Os leõezinhos passam necessidade e sofrem fome, mas aos que buscam o Senhor não faltará bem algum. Vinde, filhos, escutai-me. Eu vos ensinarei o temor do Senhor.
Evangelho
Matthew 19:27-29
Então Pedro respondeu: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. Que teremos, pois?” Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou esposa, ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.
Lectio
Há um movimento secreto que percorre as leituras de hoje, e ele começa sempre com um encontro que nos desfaz. Isaías vê o Senhor entronizado e a primeira palavra que lhe sobe aos lábios não é entusiasmo, mas tremor: "Ai de mim, estou perdido." Diante da santidade verdadeira, descobrimos primeiro a nossa pobreza. Mas note bem: o reconhecimento da própria miséria não foi o fim da história de Isaías, foi o início. A brasa que toca os lábios impuros não veio antes da consciência do pecado, veio depois. Deus não espera que estejamos prontos para nos chamar; é o chamado que nos torna prontos.
São Bento entendeu isto ao deixar tudo para buscar o Senhor numa gruta de Subiaco, e Pedro o pergunta com aquela franqueza tão humana: "Deixamos tudo e te seguimos. Que teremos, pois?" Há algo profundamente terno nessa pergunta — porque todos nós, em algum momento, fazemos a conta do que custou seguir. E a resposta de Jesus não nega o custo; ele o transfigura. O cêntuplo não é uma recompensa mercantil, é a descoberta de que aquilo que parecia perda era, na verdade, espaço aberto para uma abundância maior. O salmo confirma: "aos que buscam o Senhor não faltará bem algum."
Talvez a santidade não seja sentir-nos dignos, mas deixar que a brasa nos toque mesmo quando nos sentimos indignos — e depois responder, como Isaías, com aquele desarmado "eis-me aqui". Provar e ver que o Senhor é bom não é uma conclusão de quem já tem certezas; é o risco de quem se refugia nele antes de entender.
Que "lábios impuros" — que palavra dita, que silêncio guardado, que parte de ti que julgas indigna — tens escondido de Deus, esperando estar pronto antes de te aproximares, quando é precisamente ali que a brasa quer te tocar?
Como Pedro, que conta o que deixou e pergunta o que terá, o que há na tua vida hoje que ainda seguras como perda irreparável, sem ousar acreditar que Deus possa devolvê-lo cem vezes maior?
Santo do dia
S. Bento, abade, patrono da Europa, +547
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