terça-feira, 18 de agosto de 2026

Terça-feira da 20ª semana do Tempo Comum

Matthew 19:23-30

Ouvir a leitura completa — MP3

Primeira leitura

Ezekiel 28:1-10

A palavra do Senhor veio novamente a mim, dizendo: "Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: 'Assim diz o Senhor Deus: "Porque o teu coração se ergueu em soberba, e disseste: 'Eu sou um deus, sento-me no trono de Deus, no meio dos mares'; contudo tu és homem, e não Deus, ainda que tenhas colocado o teu coração como se fosse o coração de Deus — eis que és mais sábio do que Daniel; não há segredo algum que te esteja oculto; pela tua sabedoria e pelo teu entendimento adquiriste riquezas, e ajuntaste ouro e prata nos teus tesouros; pela tua grande sabedoria e pelo teu comércio aumentaste as tuas riquezas, e o teu coração se ergueu em soberba por causa das tuas riquezas —"

"'portanto, assim diz o Senhor Deus: "Porque colocaste o teu coração como se fosse o coração de Deus, por isso, eis que trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações. Eles desembainharão as suas espadas contra a beleza da tua sabedoria. Profanarão o teu esplendor. Far-te-ão descer à cova. Morrerás da morte dos que são traspassados no coração dos mares. Dirás ainda, diante daquele que te mata: 'Eu sou Deus'? Mas tu és homem, e não Deus, na mão daquele que te fere. Morrerás da morte dos incircuncisos, pela mão de estrangeiros; porque eu o falei", diz o Senhor Deus.'"

Salmo responsorial

Deuteronomy 32:26-27,27-28,30,35-36

Eu disse que os dispersaria para longe. Faria cessar a sua memória dentre os homens; não fosse eu recear a provocação do inimigo, para que os seus adversários não julgassem erradamente, para que não dissessem: "A nossa mão triunfou, não foi o Senhor quem fez tudo isto."

Não fosse eu recear a provocação do inimigo, para que os seus adversários não julgassem erradamente, para que não dissessem: "A nossa mão triunfou, não foi o Senhor quem fez tudo isto."

Pois são uma nação sem conselho, e neles não há entendimento.

Como poderia um só perseguir mil, e dois pôr em fuga dez mil, se a sua Rocha não os tivesse vendido, e o Senhor não os tivesse entregado?

A mim pertence a vingança e a retribuição, no tempo em que o seu pé vacilar; pois o dia da sua ruína está próximo, e a sua perdição se apressa sobre eles.

Pois o Senhor julgará o seu povo, e terá compaixão dos seus servos, quando vir que se esgotou o seu poder, que não resta ninguém, nem escravo nem livre.

Evangelho

Matthew 19:23-30

Jesus disse aos seus discípulos: “Em verdade vos digo: dificilmente um homem rico entrará no Reino dos Céus. Digo-vos ainda: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” Ao ouvirem isto, os discípulos ficaram profundamente admirados e disseram: “Quem, então, poderá ser salvo?” Fixando o olhar neles, Jesus disse: “Para os homens isto é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.” Então Pedro respondeu: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. Que teremos, pois?” Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo: vós que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou esposa, ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna. Mas muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.”

Lectio

Há um mesmo veneno que percorre a leitura de Ezequiel e o Evangelho de hoje, ainda que se vista de roupas diferentes. Ao príncipe de Tiro, Deus não reprova a riqueza em si, mas o que ela fez com o seu coração: "o teu coração se ergueu em soberba". Ele começou a dizer, no silêncio da alma, "eu sou um deus". A abundância lhe deu a ilusão perigosa de que se bastava a si mesmo, de que não devia nada a ninguém, de que a sua mão o havia salvado. E é exatamente essa autossuficiência que Jesus toca quando fala do camelo e da agulha. Não é o dinheiro que fecha o Céu, mas a segurança que ele oferece, essa quietude enganosa de quem já não precisa estender a mão para ninguém — nem para Deus.

Repare que os discípulos ficam apavorados: "Quem, então, poderá ser salvo?". Eles entenderam que Jesus não estava falando de um grupo distante de ricos, mas de algo que mora em todo coração humano — o desejo de nos garantirmos, de nos apoiarmos naquilo que possuímos e controlamos. E a resposta de Jesus não é uma exigência maior, mas um alívio: "Para os homens isto é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis". A salvação não vem da nossa capacidade de largar tudo, mas da graça que afrouxa aos poucos os dedos com que apertamos as nossas coisas.

Pedro, então, pergunta com a honestidade de quem já deixou os barcos na praia: "Que teremos, pois?". E Jesus não o repreende pela pergunta — promete o cêntuplo. Há uma ternura nisso. Deus sabe que o coração humano precisa de algo em que se firmar; Ele só nos pede que troquemos a rocha frágil das nossas posses pela Rocha que não nos venderá.

O que é hoje, na tua vida, a coisa concreta que te faz dizer no íntimo "a minha mão me salvou" — a poupança, o cargo, uma competência tua — e do que ela te faria sentir capaz de prescindir de Deus?

Quando fazes silêncio como Pedro e perguntas "que teremos?", qual medo específico se agita em ti diante da possibilidade de soltar aquilo que hoje mais aperta nas mãos?

Santo do dia

Santo Alberto Hurtado Cruchaga, presbítero, +1952

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