domingo, 7 de junho de 2026

10º Domingo do Tempo Comum

John 6:51-58

Ouvir a leitura completa — MP3

Primeira leitura

Deuteronomy 8:2-3,14-16

Reconheçamos o Senhor. Esforcemo-nos por conhecer o Senhor. Tão certo como o sol nasce, o Senhor aparecerá. Ele virá a nós como a chuva, como a chuva da primavera que rega a terra.” “Efraim, que farei contigo? Judá, que farei contigo? Pois o vosso amor é como uma nuvem da manhã, e como o orvalho que cedo se desvanece. Por isso os despedacei pelos profetas; eu os matei com as palavras da minha boca. Os vossos juízos são como um relâmpago. Pois eu desejo a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos.

Salmo responsorial

Psalms 147:12-13,14-15,19-20

O Poderoso, Deus, o Senhor, fala, e convoca a terra desde o nascer do sol até o seu poente. Ele chama os céus lá no alto, e a terra, para julgar o seu povo: Não te repreendo por causa dos teus sacrifícios. Os teus holocaustos estão continuamente diante de mim. Se eu tivesse fome, não te diria, porque meu é o mundo e tudo o que nele há. Acaso comerei a carne de touros, ou beberei o sangue de bodes? Oferece a Deus o sacrifício de ação de graças. Cumpre os teus votos ao Altíssimo. Invoca-me no dia da angústia. Eu te livrarei, e tu me honrarás.

Evangelho

John 6:51-58

Ao passar por ali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança de impostos. Ele lhe disse: "Segue-me." E ele se levantou e o seguiu.

Estando Jesus à mesa na casa, eis que muitos cobradores de impostos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e com os seus discípulos. Quando os fariseus viram isso, disseram aos discípulos: "Por que o vosso mestre come com cobradores de impostos e pecadores?"

Ao ouvir isto, Jesus lhes disse: "Não são os sãos que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: 'Misericórdia quero, e não sacrifício', pois não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento."

Lectio

Há um fio dourado que atravessa as leituras de hoje, e ele tem nome: misericórdia. Deus, pela boca do profeta Oseias, lamenta com uma ternura quase ferida — "o vosso amor é como uma nuvem da manhã, e como o orvalho que cedo se desvanece". Não é a indignação de um juiz que fala ali, mas a saudade de um amante traído pela inconstância do amado. E logo vem a frase que Jesus retomará séculos depois, como quem recolhe uma pérola antiga: "desejo a misericórdia, e não o sacrifício". Deus não está faminto das nossas oferendas; está faminto de nós, do nosso coração, da nossa presença real diante d'Ele.

O Salmo aprofunda esse mistério com uma franqueza surpreendente: "Se eu tivesse fome, não te diria". Deus não precisa de nada que possamos dar-Lhe — e talvez seja exatamente isso que nos custe entender. Preferimos o sacrifício porque ele nos dá a sensação de controle, de mérito, de uma conta que se equilibra. A misericórdia, porém, é mais difícil: exige que aceitemos ser amados sem termos pago, e que estendamos esse mesmo amor não-merecido aos outros. Por isso os fariseus se escandalizam quando veem Jesus à mesa com os pecadores. Eles dominavam a aritmética do sacrifício, mas a gramática da misericórdia lhes era estrangeira.

E então Mateus se levanta do seu posto de cobrança. Não houve negociação, nem provas exigidas, nem período de purificação. Apenas um olhar, uma palavra — "Segue-me" — e uma vida inteira que muda de direção. Jesus não esperou que Mateus se tornasse digno; sentou-se à mesa dele primeiro. É assim que a misericórdia opera: ela vai ao encontro do doente antes que ele se cure, porque, como diz o Senhor, são os doentes que precisam do médico.

Onde, na sua vida hoje, você tem oferecido a Deus "sacrifícios" — esforços, rituais, controle — para evitar a parte mais difícil de simplesmente deixar-se amar e perdoar por Ele?

Existe alguém que você, como os fariseus, considera indigno de sentar-se à sua mesa — e o que mudaria se você ouvisse Jesus dizer a essa pessoa, antes que ela mereça, "Segue-me"?

Santo do dia

Beata Ana de São Bartolomeu, virgem, religiosa, +1626

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